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Quando ouvir você cantar
meu encanto e desencanto,
e sentir na maciez da tua fala
toda energia que exala,
sentir tua voz mansamente invadindo,
partindo, rasgando meu coração,
não sei não, acho que vou chorar.
Quando em minha retina reflectir
a meiguice, o sorriso, a ternura do teu olhar,
neste palco iluminado,
e descobrir a magia deste chão estrelado,
não sei não, acho que vou chorar.
Quando você cantar,
essa tempestade de emoção,
ver meu sonho na brisa bailar,
com leveza de plumas no ar,
não sei não,
acho que não vou aguentar.
Mas como diz a canção,
se eu chorar, não ligue não,
solte essa voz por favor,
para explodir meu desencanto,
não tenha medo e sim a certeza,
que na beleza do teu canto,
já nasceu novo encanto,
por favor solte essa voz,
hoje o encanto somos nós ...
(dez/03)
direitos autorais registrados

Olhar profundo,
busca, rebusca ,
os cantos do mundo;
Olhar enigmático
pragmático,
carismático,
olhar que disfarça o próprio olhar;
Olhar que produz
encanto,
olhar que conduz
mistério;
olhar que vê, sem olhar,
olhar que fala do sentimento,
olhar que reclama
sem censura,
olhar que murmura,
a ternura de quem ama;
olhar que não mostra a própria luz,
mas expressa-a num relance,
breve, curto, sem alcance;
Olhar penetrante, incessante,
olhar que grita aflito,
olhar de espera,
olhar de quem se supera,
olhar de alguém vibrante, constante,
olhar procurado, quase tocado,
mas amiúde chora solitariamente a solidão;
Olhar que no espaço flutua,
reflectindo na retina nua,
a serenidade que abranda ansiedades e medos,
olhar que desnuda o outro,
mas jamais revela os próprios segredos.
ANDRADE JORGE
DIREITOS AUTORAIS REGISTRADOS
30/04/05
Formatação_Cecília Rodrigues
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