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Depois de através do poeta Joaquim Sustelo, ter
sido elucidada
sobre o que seria uma coroa de sonetos , resolvi tentar me
aproximar deste autor , também fazendo uma "Coroa de Sonetos "
Assim vos apresento...."Hoje é o Tempo"
Baseada , no quotidiano, nos sentimentos que me afloram a cada
dia , em que vejo a vida passar , e de nada adiantar nosso
barafustar...sinto que só nos resta viver o tempo que Deus nos
destinou da melhor forma possível mesmo tendo que disfarçar as
dores que há no Mundo com alguma habilidade as enfeitamos
com molhos de palavras de todas as cores, mesmo vivendo num
Mundo do faz de conta, é uma maneira de ser feliz!!
""Relembro as regras de uma Coroa de
Sonetos, pois deve haver quem não saiba:
- o 1º verso do 1º soneto é igual ao
último verso do 14º soneto (uma Coroa tem 14 sonetos). Isto é,
termina como começa.
- Cada soneto tem início com o último verso do soneto
anterior.""
Joaquim Sustelo
Um abraço e obrigado pela vossa leitura.
Hoje
É o Tempo
I
Não quero falar do tempo que já passou
Nem das mágoas que meus olhos marejaram
Nem das penas que nesta vida marcaram
São apenas lembranças que o tempo apagou
Eu quero apenas todas as quimeras de hoje
Vivenciar tudo que a vida presenteia
Reflectir no passado e futuro que foge
Saborear o amor que ainda me incendeia
Na flor desapercebida aqui a meu lado
Uma guitarra e um fadista que canta o fado
Felicidade! Com tão pouco se semeia
Gostar de nós e do nome que nos foi dado
Da família, de um amor sempre a nosso lado
Cultivar amizade em tudo que nos rodeia
II
Cultivar amizade em tudo que nos rodeia
Obra esculpida, muito bem arquitectada
Sorrir, mesmo para aquele que nos odeia
E saber compreender esta longa estrada
Estrada onde muitos amigos encontrei
Algumas agruras também se avizinharam
E de alguma forma sempre as neutralizei
E a toda a ira que nalgum dia causaram
Não foi fácil toda esta longa caminhada
Onde a Esperança teve sempre a morada
Já que, a meio e quase sempre em declive
Toda a alegria da vida sempre sonhada
Nem sempre fez parte desta minha jornada
Já que tão poucas foram aquelas que tive
III
Já que tão poucas foram aquelas que tive
Dos meus escolhidos desejos de vivência
Em meus versos, toda alegria sobrevive
Através do tempo e com toda a eloquência
Estendo meus braços sempre em direcção
Ao caminho onde há rios cheios de amarguras
Guardo a palavra ainda húmida em minha mão
No espelho de Minh’alma, todas as lisuras
Reconstituo tijolo a tijolo e a cada palmo
Desta vida já vivida...e depois me acalmo
Sob um rebanho de nuvens edificado
E galgando passo a passo todo o caminho
Vivo o hoje sem sobressalto, neste cantinho
Onde tudo é o nada…e o nada, é sonho alado.
IV
Onde tudo é o nada e o nada, é sonho alado
Meço o tempo, num reflectir silencioso,
Onde tem voz os momentos de um passado;
Guardado num cofre, é um bem precioso.
É um contexto dos anais da nossa história
É livro redigido e muito bem prosado
São relíquias guardadas em nossa memória
Hoje é o tempo, que recordo o meu passado
Não sei se estórias ainda vou recuperar
Bem no fundo do coração, é lá que devem estar
Á espera que em poema se eternizem
Talvez a pena no silêncio ao versejar
Em forma de estrofes, possa vida lhes dar
E em tempo etéreo, os sonhos se concretizem
V
E em tempo etéreo, os sonhos se concretizem
Pois nascemos sob o signo do Amor Sagrado
Se à felicidade, temos direito assim dizem
Olho estrelas, fixo o horizonte, enterro o passado
Silencio soez dor, extrapolo o meu sentir
Urdo as palavras, de cores orno o luar
Pinto raios de sol e seco o meu carpir
Na tela de hoje, é tempo do verbo cantar
Por mais que invente, também hoje faz-me chorar
Sabes!? O homem se esqueceu do verbo amar
Usa-o num tempo hediondo de mísseis
É a gélida verdade, dos tempos que correm
São crianças, velhinhos, e animais que morrem
Mãos, que ateiam florestam, horas difíceis!
VI
Mãos, que ateiam florestam, horas difíceis!
Sabes? Neste quadro em que pinto a paz e anseios!
Lapido o amor, rabisco da dor só os resquícios
Quisera meus sonhos não fossem devaneios!
Quisera enfeitar o Mundo só de sonhos
Esculpir sorrisos de crianças sem fome
Numa bela escultura, sem quadros medonhos
Falar de amor e abraçar o irmão sem nome!
Este é o meu tempo, voa, divaga como ave;
Repouso meu olhar, e faço um voo suave
Acredito no amor e na Esperança alcançada;
Meu silente receio, porém, resoluto
Em meu íntimo sentir…crer no amor absoluto,
Servil paz duradoura; P’lo Mundo almejada
VII
Servil paz duradoura; P’lo Mundo almejada
É o sonho do futuro, assim seguiremos
"O hoje, é o sempre e o sempre, é nossa estrada"
Pés fincados, na certeza, nós venceremos!
Todo o mal que semeia, será a sua teia;
O homem lança a espada; fere seus irmãos
Ele esquece… poderá ser sua última ceia!
-Que poesia, invade assim minhas mãos?
Quero o hoje, sem passado…um hoje tranquilo;
Minhas palavras se esvaem…não têm sentido!?
São verdades que escorrem … são meus anseios!
Tantas guerras; impossível tudo enfeitar!
Rabisca poeta! Esconde a dor do teu olhar!
Daquele olhar onde, disfarças teus receios.
VIII
Daquele olhar onde, disfarças teus receios.
Acreditar no hoje, e na paz do futuro;
Peregrino, sentindo incólume o teu esteio
Definhando a dor em estrofes de amor puro
Poeta és tu e eu…eu já nem sei quem sou
Sou pedinte sem afago… o grito pungente
Sou riacho perdido, nem sei onde vou
Sem rumo, exaurido, num sentido silente
Viver Hoje fugaz, tudo me apraz esquecer;
Peregrino exausto, na Fé fortalecer,
Um espírito aprendiz, seguindo esta pista
Consciente jornada, deste mundo tão vil!
Canto em versos o inverso da era dois - mil;
No meu interno, sonho-me fada sou autista.
IX
No meu interno, sonho-me fada sou autista.
Crio meu próprio mundo irreverente...feliz
Abraço a vida que me espera e optimista,
Debilmente sigo o rumo que a vida me diz.
Vislumbro a bonança, no coração do homem,
E possamos rumar, caminhos da paz plena.
Veleidades minhas, coisas que me transcendem;
Sonho um poema belo e de estrofe serena.
Dispo todo o mal, dou-lhe a forma que desejo,
Mitigo a dor do Mundo, e hoje aqui vos deixo
Retalhos de quem espera o sol das Primaveras
No Outono da vida, a vida passa fagueira
Em meus olhos o luar, da lua feiticeira
Onde estrelas mil desenham no azul quimeras
X
Onde estrelas mil desenham no azul quimeras
Ai como eu era, cabelos negros p'la cintura
Era de alvura o perfume das primaveras
Ao som de um twist... ostentava formosura
Eram “anos dourados” de um tempo festivo,
O beijo roubado, tinha um gosto encantado;
Trazido, no peito guardado, o beijo furtivo.
Sonhei um olhar docemente inebriado
Descobri o amor que aflorou meu coração;
Hoje, revivo aqueles momentos c’o emoção.
Um querer a qualquer tempo o tempo perdido;
Invento-me poesia, refúgio da solidão,
Rabisco a pena, linhas singelas na mão
Lapido um poema, e com arte faz sentido.
XI
Lapido um poema, e com arte faz sentido.
Limito-me aos sonhos; à dor, sinto-me impotente
Segue meus remansos, em poema exaurido,
Minh’alma contando estórias pra toda a gente.
Ora plange…ora ri…dou asas pra que voe
Indolente espargir, um estado permanente
Eco perdido; dou-lhe a voz com que entoe
E rumo ás marés, ouve-se um canto fremente
São retalhos d’uma vida em forma de oração
Despidos de vaidade, são toda a emoção.
Desta paridade em que o tempo é a realidade;
A realidade é absoluta e transcendente,
Sonha o poeta cantar o amor resplandecente
E a toda a gente, falar alto sem maldade.
XII
E a toda a gente, falar alto sem maldade.
Em acalmia, fala de sonhos, aves, rios;
Estórias multicores, que sua alma invade.
Pontes, barreiras, ultrapassa desafios
Meu mundo é meu guião, desde a minha infância
Inocência leda...eram os ninhos no arvoredo…
Melodioso trinar, em meu olhar de ânsia
Postado em poema, no luzente rochedo
Sorria-me, um jardim de flores, em silêncio hostil,
Melodia no vento…prenúncio primaveril;
O adejar da ave, entrelaça esvoaçante;
Feliz Natureza…nada fazia prever,
Teias de frieza, matam-na; e a fazem arder.
Entre sofismas, canta poeta de rompante!
XIII
Entre sofismas, canta poeta de rompante!
Hoje, ontem, amanhã, minha voz não calará!
Sou a certeza do amanhã inconstante
Sonho o ontem e sei…eu sei… jamais voltará
Só o amor sobrevive, ainda me lembro!
Nascia por encanto, a cada beijo ao luar.
Lembrar é voltar, ao cais e acenar ao tempo;
A vida ... o arrais na proa ... a vela a desfraldar!
O sonho chega ao fim, dele sei, não quero acordar;
Cravo palavras. Nas mãos perguntas sem moldar.
Sequiosas ... à espera que lhe dêem voz;
Deixem que fluam…aos ventos simples versos…
Singelas melodias, p’lo Mundo dispersos;
Trinam sinfonias, por este Mundo algoz.
XIV
Trinam sinfonias, por este Mundo algoz.
Que a voz me doa ao desfolhar o malmequer
Indelével poesia, por magia até vós…
Em vossos cálices, meu universo de mulher!
Recitar teu nome… Mundo fora, meu grito!
Desatar nós ao tempo…sorrir num paraíso;
De flores, flutuar no Mundo sem conflito
Que ânsia! Abraçar-te em poesia. Preciso!
Quero o tempo que resta Vivenciar sem carpir;
Crer em ti, em mim, no Mundo, num lindo porvir.
No espelho as marcas, do que fui. O que sou
Na berma do tempo, o tempo flúi p'ra além do mar
Quero o hoje, sem ter, o ontem p'ra recordar…
Não quero falar, do tempo que já passou!
Cecília Rodrigues _ 2006 _ Portugal
Revisado em Agosto _2007
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os direitos autorais
Imagem de fundo_Allan R. Banks
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